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Renan Rodrigues
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Imagem representativa de Belterra, Pará
Imagem de acervo público relacionada ao município. Consultar no Wikimedia Commons
MUNICÍPIO DO PARÁ

Belterra

Belterra é um município histórico do oeste do Pará, situado às margens do rio Tapajós e próximo de Santarém. Conhecida como a cidade criada durante o projeto de Henry Ford para produzir borracha na Amazônia, reúne arquitetura singular, comunidades tradicionais, praias de água doce e parte da Floresta Nacional do Tapajós.

POPULAÇÃO18.099 habitantes (Censo 2022 do IBGE)
ANIVERSÁRIO4 de maio

História de Belterra: como a cidade surgiu

A região onde hoje está Belterra possui uma história muito anterior à implantação da cidade planejada. Povos indígenas ocupavam o território amazônico havia milhares de anos, deixando conhecimentos, modos de vida e vestígios arqueológicos. A presença de terra preta arqueológica em diferentes pontos demonstra a antiga ocupação humana e a transformação do solo por populações originárias.

A fase mais conhecida da história de Belterra começou na década de 1930. Henry Ford, fundador da companhia automobilística Ford, buscava produzir borracha natural na Amazônia para abastecer sua indústria de pneus e reduzir a dependência da borracha asiática. O primeiro grande projeto foi instalado em Fordlândia, no rio Tapajós, mas enfrentou problemas de solo, relevo, doenças nos seringais e dificuldades de organização.

Após os problemas em Fordlândia, técnicos procuraram outra área que oferecesse terreno mais plano, solo favorável e acesso ao rio. A escolha recaiu sobre uma área então chamada de Bela Terra. Em 1934, começaram a limpeza do terreno, o plantio de seringueiras e a construção da estrutura urbana que daria origem a Belterra.

A cidade foi planejada para abrigar trabalhadores, técnicos e administradores. Foram construídas casas de madeira, hospital, escolas, armazéns, oficinas, áreas de lazer e outras instalações. A organização urbana seguia referências norte-americanas e separava os moradores conforme suas funções na empresa. A Vila Americana concentrava residências destinadas a profissionais e dirigentes, enquanto outras áreas abrigavam operários e trabalhadores mensalistas.

As ruas largas, as casas padronizadas, os hidrantes, os galpões e as construções de madeira formaram uma paisagem diferente da encontrada em outras cidades amazônicas. Embora uma casa tenha sido preparada para recebê-lo, Henry Ford nunca visitou pessoalmente Belterra.

O projeto da borracha perdeu força com o desenvolvimento da borracha sintética, a concorrência internacional e as dificuldades econômicas da plantação. Em 1945, a Companhia Ford encerrou sua participação e devolveu o empreendimento ao governo brasileiro. Belterra passou a ser administrada pelo poder público e permaneceu vinculada ao município de Santarém.

Nas décadas seguintes, antigos trabalhadores, agricultores, comunidades tradicionais e novas famílias mantiveram a cidade viva. A agricultura, o extrativismo, a pesca e os serviços públicos passaram a sustentar grande parte da população. Ao mesmo tempo, as construções deixadas pelo período da Ford tornaram-se parte do patrimônio histórico e da identidade local.

O movimento pela emancipação ganhou força e resultou na criação do município pela Lei Estadual nº 5.928, de 28 de dezembro de 1995. A instalação administrativa ocorreu posteriormente, permitindo que Belterra passasse a organizar seu próprio governo municipal. O aniversário da cidade é celebrado em 4 de maio, data ligada ao início dos trabalhos de implantação do núcleo urbano em 1934.

Atualmente, Belterra é reconhecida pela combinação entre memória histórica, patrimônio arquitetônico, floresta, praias do rio Tapajós e diversidade de comunidades rurais e ribeirinhas. Sua trajetória não se resume ao projeto estrangeiro: ela também é construída pelos povos originários, trabalhadores da borracha, agricultores, moradores e comunidades que preservaram o território ao longo das gerações.

Cultura e tradições

A cultura de Belterra reúne influências indígenas, ribeirinhas, nordestinas e amazônicas, além da memória deixada pelo período da Companhia Ford. Essa diversidade aparece nas festas religiosas, na música, no carimbó, nas celebrações comunitárias, no artesanato, na culinária e nos modos de vida ligados ao rio e à floresta.

As construções históricas da Vila Americana e de outras áreas da cidade são referências culturais importantes. Casas de madeira, antigas instalações administrativas, praças e espaços usados pelos trabalhadores ajudam a contar como o núcleo urbano foi organizado durante a década de 1930.

Nas comunidades, círios, festas de padroeiros, torneios, festivais e encontros familiares fortalecem vínculos e preservam tradições. A alimentação valoriza peixes do Tapajós, farinha de mandioca, açaí, frutas regionais e produtos da agricultura familiar.

O conhecimento das populações tradicionais sobre plantas, rios, pesca, roça e floresta também integra o patrimônio cultural de Belterra. Preservar essa memória significa reconhecer tanto as construções históricas quanto as histórias e experiências das pessoas que vivem no município.

Economia

A economia de Belterra é formada principalmente pela agricultura familiar, produção rural, comércio, serviços, turismo, pesca, extrativismo e administração pública. Mandioca, farinha, milho, feijão, frutas, hortaliças e criação de animais participam da geração de renda em diferentes comunidades.

O município também está inserido na área de produção mecanizada de grãos do oeste do Pará. Essa atividade movimenta transporte, comércio e serviços, mas também exige acompanhamento ambiental, respeito às comunidades e planejamento para proteger a floresta, os igarapés e os recursos naturais.

O turismo tem potencial crescente por causa do patrimônio histórico, das praias do rio Tapajós e da proximidade com a Floresta Nacional do Tapajós. Pousadas, alimentação, transporte, artesanato, guias e iniciativas comunitárias podem transformar a visitação em renda para moradores.

A ligação rodoviária com Santarém e o acesso fluvial pelo Tapajós favorecem a circulação de pessoas e mercadorias. Entre os desafios estão a manutenção de estradas e ramais, o apoio aos pequenos produtores, o saneamento, a valorização do patrimônio e o desenvolvimento de atividades econômicas compatíveis com a conservação ambiental.

Turismo e pontos turísticos

Belterra é um dos destinos mais singulares do oeste do Pará. Na sede municipal, o visitante encontra ruas arborizadas e construções de madeira que preservam características do planejamento realizado durante o projeto da Companhia Ford. A Vila Americana, as antigas residências, os galpões e outros prédios históricos ajudam a compreender essa fase da Amazônia.

As praias de água doce do rio Tapajós são outro destaque. Pindobal, Aramanaí, Cajutuba e outras áreas do município oferecem areia clara, águas transparentes e paisagens que ganham maior extensão durante o período de vazante. As comunidades próximas recebem visitantes e movimentam serviços de alimentação, hospedagem e transporte.

Parte da Floresta Nacional do Tapajós está localizada no território de Belterra. A unidade de conservação protege uma extensa área de floresta amazônica e abriga comunidades, trilhas, árvores de grande porte e experiências de turismo de base comunitária. A visita deve respeitar as regras ambientais e as orientações das comunidades e dos órgãos responsáveis.

Igarapés, comunidades rurais e ribeirinhas, áreas de produção agrícola e paisagens ao longo da BR-163 completam o potencial turístico. Belterra pode integrar roteiros com Santarém e Alter do Chão, oferecendo história, natureza e cultura em uma mesma viagem.

O turismo responsável depende da preservação das praias, da floresta, dos sítios arqueológicos e do patrimônio arquitetônico. Também deve valorizar moradores, condutores, artesãos, produtores e iniciativas comunitárias, garantindo que os benefícios da visitação permaneçam no município.

Fontes consultadas

Prefeitura Municipal de Belterra — História do Município

IBGE — Belterra (PA), Cidades e Estados

BNDES — Museu de Ciências de Belterra e patrimônio histórico

ICMBio — Floresta Nacional do Tapajós

IBGE Biblioteca — Histórico de Belterra

Atualizado em 9 de setembro de 2026.