
Santarém
Santarém é uma das cidades mais antigas e importantes da Amazônia. Localizada no oeste do Pará, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas, a cidade reúne história indígena milenar, patrimônio colonial, cultura amazônica, comércio regional e paisagens conhecidas mundialmente, como Alter do Chão e o Encontro das Águas.
História de Santarém: como a cidade surgiu
A história de Santarém não começou com a chegada dos colonizadores europeus. Muito antes do século XVII, a região já era ocupada por povos indígenas, especialmente os Tapajó, que viviam às margens dos rios, cultivavam alimentos, pescavam, mantinham redes de troca e produziam cerâmicas e objetos de grande valor cultural. Vestígios arqueológicos encontrados na região mostram que esse território possuía sociedades organizadas e uma história milenar.
O local onde hoje está a área urbana de Santarém era conhecido como Aldeia dos Tapajós. Sua posição na confluência do rio Tapajós com o rio Amazonas fazia do lugar um ponto estratégico para circulação, alimentação, comunicação e comércio entre diferentes povos da Amazônia.
O dia 22 de junho de 1661 é considerado o marco oficial da fundação de Santarém. Nessa data, o padre jesuíta João Felipe Bettendorff chegou à Aldeia dos Tapajós durante as missões religiosas portuguesas. A presença missionária deu origem a uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição e iniciou uma nova etapa da ocupação colonial. Esse marco, entretanto, não apaga a presença muito mais antiga dos povos originários, que são parte fundamental da identidade santarena.
Em 1758, durante a reorganização administrativa promovida pela Coroa portuguesa na Amazônia, a antiga aldeia foi elevada à categoria de vila e recebeu o nome de Santarém, em referência à cidade portuguesa de mesmo nome. A mudança acompanhou o processo de substituição de nomes indígenas por nomes portugueses em diversas localidades da região.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, Santarém consolidou-se como um importante centro de circulação de pessoas e mercadorias. Sua localização permitia ligação com Belém, Manaus, comunidades ribeirinhas e áreas do interior. A região também viveu os conflitos e transformações políticas da Amazônia, entre eles a Cabanagem, movimento ocorrido entre 1835 e 1840 e que teve forte impacto social no Pará.
Em 24 de outubro de 1848, Santarém foi elevada à categoria de cidade. Nas décadas seguintes, o comércio fluvial ganhou força. Durante o ciclo da borracha, entre o fim do século XIX e o início do século XX, o município participou da dinâmica econômica amazônica e recebeu influências arquitetônicas, comerciais e culturais que ainda podem ser percebidas em construções e espaços históricos.
No século XX, Santarém ampliou seu papel como centro urbano do oeste paraense. A navegação continuou essencial, enquanto a abertura de rodovias, principalmente a BR-163, aumentou a ligação terrestre com outras regiões do país. A cidade passou a concentrar serviços de saúde, educação, comércio, comunicação e administração pública utilizados também pela população de municípios vizinhos.
Atualmente, Santarém é uma referência regional e mantém uma identidade construída pelo encontro entre povos indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas, migrantes e diferentes tradições amazônicas. Conhecer sua história significa reconhecer tanto os marcos oficiais da cidade quanto a presença ancestral de quem já habitava e cuidava desse território muito antes de 1661.
Cultura e tradições
A cultura de Santarém nasce do encontro entre heranças indígenas, ribeirinhas, africanas, nordestinas, portuguesas e de outros grupos que ajudaram a formar o município. Essa diversidade aparece na música, na dança, no artesanato, nas festas religiosas, nas lendas amazônicas e na culinária baseada em peixes, farinha, mandioca, frutas regionais e ingredientes da floresta.
Uma das manifestações mais conhecidas é o Sairé, realizado em Alter do Chão. A celebração reúne elementos religiosos e culturais e, em sua programação contemporânea, inclui a disputa dos botos Cor-de-Rosa e Tucuxi. Carimbó, puxirum, festivais comunitários, círios, quadrilhas juninas e celebrações de santos padroeiros também fazem parte do calendário cultural do município.
O artesanato santareno preserva referências da cultura Tapajônica, com peças inspiradas em grafismos, cerâmicas arqueológicas, sementes, fibras e materiais regionais. Na gastronomia, destacam-se pratos com pirarucu, tambaqui, tucunaré, piracuí, tacacá, maniçoba, açaí e outras expressões da cozinha amazônica.
Economia
Santarém exerce a função de polo econômico e de serviços do oeste do Pará. Comércio, saúde, educação, turismo, construção civil, administração pública, transporte e prestação de serviços movimentam a economia e atendem moradores de uma extensa região.
Atividades ligadas à agricultura familiar, pesca, pecuária e produção de grãos também participam da economia municipal. A posição geográfica, os portos e a ligação pela BR-163 transformaram Santarém em um ponto importante da logística amazônica. Esse desenvolvimento convive com desafios relacionados à mobilidade, saneamento, proteção ambiental, ocupação urbana e valorização das comunidades tradicionais.
Turismo e pontos turísticos
Santarém é conhecida pelo Encontro das Águas, onde as águas azul-esverdeadas do Tapajós correm ao lado das águas barrentas do Amazonas antes de se misturarem. A orla permite observar essa paisagem e acompanha parte importante da vida cotidiana da cidade.
Alter do Chão, distrito localizado às margens do Tapajós, tornou-se um dos destinos turísticos mais conhecidos da Amazônia. No período de menor nível do rio, praias de água doce e bancos de areia formam paisagens como a Ilha do Amor. A região também reúne lagos, igarapés, comunidades e áreas de floresta.
Entre outros pontos de interesse estão o Centro Cultural João Fona, a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, o Museu de História e Arte Sacra, o Mercado Municipal, a orla, a vila de Alter do Chão e as comunidades ribeirinhas. O turismo de base comunitária e as experiências ligadas aos rios e à floresta ajudam a apresentar a diversidade ambiental e cultural da região.
Fontes consultadas
Prefeitura Municipal de Santarém — História de Santarém
IBGE — Santarém (PA), Cidades e Estados
Prefeitura Municipal de Santarém — Posse de Zé Maria Tapajós e Carlos Martins
Atualizado em 9 de setembro de 2026.

