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JACARTA (INDONÉSIA) — 14 DE SETEMBRO DE 2026 — O rápido crescimento das exportações de biomassa florestal da Indonésia para o Japão acendeu um novo alerta sobre desmatamento, biodiversidade e direitos de comunidades indígenas. Dados reunidos em uma apuração da Associated Press mostram que as importações japonesas de pellets de madeira produzidos no país asiático aumentaram mais de 500% entre 2023 e 2025.

O volume passou de 66.460 toneladas, em 2023, para 402.310 toneladas em 2025. A expansão está ligada à estratégia japonesa de substituir parte dos combustíveis fósseis por fontes classificadas como renováveis, mas pesquisadores questionam os impactos quando a madeira vem de florestas naturais.

Concessões alcançam grandes áreas de floresta

Organizações ambientais apontam que a Indonésia já concedeu ao menos 45 áreas ligadas à produção de biomassa, abrangendo cerca de 750 mil hectares. Parte dessas concessões se sobrepõe a florestas tropicais, territórios indígenas e zonas importantes para a biodiversidade.

O risco não se limita ao corte de árvores. A abertura de estradas, a instalação de unidades de processamento e a conversão da floresta em plantações podem fragmentar habitats e aumentar a pressão sobre espécies ameaçadas.

Biomassa é renovável, mas origem faz diferença

A biomassa pode produzir eletricidade a partir de matéria orgânica, como resíduos agrícolas e madeira. O impacto climático, porém, depende do material utilizado, da origem, do transporte e do tempo necessário para a vegetação voltar a absorver o carbono liberado.

Especialistas alertam que a queima de madeira não é automaticamente neutra em carbono. Quando a produção provoca derrubada de florestas naturais, as emissões e a perda de capacidade de armazenamento de carbono podem comprometer os benefícios atribuídos à fonte.

Floresta sustenta comunidades e espécies

A análise da Earth Insight, da Auriga Nusantara e de organizações parceiras identificou ameaças sobre territórios tradicionais e áreas de alto valor ambiental. Comunidades que dependem da floresta para alimentação, água, renda e práticas culturais podem ser diretamente afetadas pela expansão industrial.

A Indonésia abriga algumas das florestas mais biodiversas do planeta. Orangotangos, aves raras e inúmeras espécies endêmicas dependem da manutenção de grandes áreas contínuas de vegetação.

Japão é cobrado por maior rastreabilidade

Ambientalistas defendem que compradores, empresas e autoridades japonesas verifiquem toda a cadeia de fornecimento, e não apenas os primeiros fornecedores. A exigência inclui comprovar que pellets e cavacos não estão associados à conversão de florestas naturais.

O Japão deixou de oferecer subsídios a futuros projetos de biomassa de grande porte, mas empreendimentos já certificados podem continuar recebendo incentivos por até 20 anos após o início das operações. Pesquisadores afirmam que lacunas na fiscalização ainda permitem riscos na cadeia de importação.

Transição energética precisa evitar novos danos

O debate mostra que substituir carvão, petróleo e gás exige critérios ambientais rigorosos. Uma fonte apresentada como renovável pode transferir impactos para outros países quando não há controle sobre a origem da matéria-prima.

As organizações pedem proteção legal às florestas naturais remanescentes da Indonésia, transparência nas importações e o fim de incentivos para biomassa vinculada ao desmatamento. O objetivo é garantir que a transição energética reduza emissões sem destruir ecossistemas essenciais.

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