NOVA YORK (EUA), 8 de outubro de 2026 — A economista costarriquenha Rebeca Grynspan assumiu a liderança da quinta votação informal do Conselho de Segurança sobre a escolha da próxima pessoa a comandar a Organização das Nações Unidas. No levantamento realizado nesta quarta-feira (7), ela recebeu nove manifestações de incentivo e seis de rejeição entre os 15 integrantes do órgão.
A votação é uma sondagem reservada e não representa uma escolha definitiva. O resultado serve para medir o apoio e a resistência aos candidatos antes da recomendação formal do Conselho de Segurança à Assembleia Geral da ONU.
LIDERANÇA COM DISPUTA AINDA ABERTA
Grynspan venceu quatro das cinco sondagens informais realizadas nos últimos meses e voltou à primeira posição nesta rodada. Apesar da liderança, as seis manifestações contrárias mostram que a candidatura ainda enfrenta obstáculos e que o processo pode exigir novas negociações entre os países.
Nos próximos testes, o peso político dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — será decisivo. Qualquer um deles pode impedir uma recomendação por meio do poder de veto.
QUEM É REBECA GRYNSPAN
Rebeca Grynspan tem 70 anos, é economista e foi vice-presidente da Costa Rica entre 1994 e 1998. Também ocupou cargos no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e na Secretaria-Geral Ibero-Americana.
Atualmente, é secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a ONU Comércio e Desenvolvimento. A Costa Rica apresentou oficialmente sua candidatura em março de 2026.
Se for escolhida, Grynspan poderá se tornar a primeira mulher e a primeira pessoa da América Latina a ocupar a Secretaria-Geral da ONU desde a criação da organização, em 1945.
COMO FUNCIONA A ESCOLHA
O Conselho de Segurança é responsável por recomendar um único nome. Depois dessa etapa, a Assembleia Geral vota a nomeação. Embora as sondagens ajudem a revelar tendências, elas não produzem um resultado vinculante e podem mudar a cada rodada.
A ONU iniciou formalmente o processo no fim de 2025 e promoveu diálogos públicos com os candidatos ao longo de 2026. A organização encorajou os países a considerar candidaturas femininas, já que nenhuma mulher ocupou o cargo em oito décadas.
SUCESSÃO DE ANTÓNIO GUTERRES
O atual secretário-geral, António Guterres, encerra seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026. A pessoa escolhida assumirá em janeiro de 2027 para um mandato de cinco anos, com possibilidade de renovação.
A nova liderança terá de lidar com guerras prolongadas, crises humanitárias, mudanças climáticas, tensões comerciais, inteligência artificial e pressões por reformas no sistema multilateral. Por isso, a disputa é acompanhada de perto por governos e organismos internacionais.
A liderança de Grynspan nesta rodada aumenta a visibilidade de sua candidatura, mas não encerra a corrida. Novas consultas e negociações ainda podem alterar o equilíbrio antes da recomendação oficial.
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