SANTARÉM (PA) — 22 DE SETEMBRO DE 2026 — A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) realizou nesta segunda-feira (21), em Santarém, o evento “Setembro Surdo: Sinais, Saberes e Identidades da Amazônia”. A programação abriu espaço para educação, cultura, pesquisa e valorização das experiências da comunidade surda na região.
As atividades ocorreram no Auditório Wilson Fonseca, na Unidade Rondon, e reuniram oficina de língua portuguesa para pessoas surdas, mesas de diálogo, lançamento editorial, palestras e apresentação cultural.
Evento valorizou Libras e identidade surda
O Setembro Surdo é um período de mobilização pela visibilidade, pelos direitos linguísticos e pela inclusão das pessoas surdas. Em Santarém, a iniciativa destacou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como elemento central de comunicação, cultura e identidade.
A programação também aproximou estudantes, professores, pesquisadores e integrantes da comunidade surda. O encontro reforçou que a inclusão exige mais do que acesso físico aos espaços: depende de comunicação acessível, respeito às diferenças e participação efetiva.
Oficina abordou português para pessoas surdas
A primeira atividade foi a Oficina de Língua Portuguesa para Pessoas Surdas. O conteúdo tratou do ensino e da aprendizagem do português e das relações entre a língua escrita e a Libras.
Para muitos estudantes surdos, a Libras é a primeira língua, enquanto o português é aprendido como segunda língua, especialmente na modalidade escrita. Essa característica exige métodos de ensino que respeitem a experiência visual e linguística de cada aluno.
Trajetórias acadêmicas ganharam espaço
Uma mesa de diálogo apresentou experiências de estudantes do curso de Letras-Libras e discutiu os desafios encontrados por pessoas surdas no ensino superior. O debate incluiu permanência estudantil, acessibilidade, pesquisa e produção de conhecimento.
A presença de pessoas surdas na universidade amplia perspectivas e ajuda a construir políticas acadêmicas mais inclusivas. Intérpretes, materiais acessíveis e professores preparados são fundamentais, mas a participação direta da comunidade surda nas decisões também é indispensável.
Produção de conhecimento e lançamento editorial
O evento contou ainda com lançamento de obras do professor Erliandro Félix Silva, docente de Letras-Libras vinculado ao Instituto de Ciências da Educação da Ufopa. A atividade evidenciou a produção acadêmica relacionada à educação e às línguas de sinais.
Publicações sobre Libras e educação de surdos contribuem para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas adequadas. Também registram conhecimentos e experiências que historicamente tiveram pouco espaço em instituições de ensino.
Política surda na Amazônia esteve em debate
Durante a programação noturna, palestras e diálogos abordaram experiências da política surda em Santarém e no Pará. As discussões trataram da presença das pessoas surdas na universidade, na pesquisa e nos espaços de decisão.
Outro tema foi a relação entre Libras, educação de surdos e mercado linguístico. O debate ajuda a compreender como acesso à língua, formação profissional e reconhecimento cultural influenciam oportunidades de estudo, trabalho e participação social.
Cultura e humor surdo encerraram programação
A apresentação “Cultura Surda e Humor Surdo”, protagonizada por pessoas surdas, integrou as atividades do encontro. A iniciativa mostrou como expressões artísticas e experiências visuais também são formas de afirmar identidade e compartilhar diferentes maneiras de compreender o mundo.
Ao incluir manifestações culturais na programação, a Ufopa ampliou o encontro para além do debate acadêmico. Cultura, língua e educação aparecem de forma conectada na construção do pertencimento e da cidadania.
Inclusão beneficia toda a comunidade
A acessibilidade comunicacional é um direito e deve estar presente em escolas, universidades, serviços públicos, unidades de saúde, meios de comunicação e eventos. Medidas como atendimento em Libras, legendas e informações visuais tornam esses espaços mais acessíveis.
Em Santarém e no Oeste do Pará, iniciativas de formação e conscientização ajudam a reduzir barreiras ainda enfrentadas pela comunidade surda. O evento realizado na Ufopa reforça a importância de ouvir quem vive essas experiências e transformar o diálogo em ações permanentes de inclusão.
Blog do Renan Rodrigues — O Coração Pulsante do Pará.
Informação com responsabilidade, levando a verdade até você.
www.blogdorenanrodrigues.com.br



Deixe seu comentário