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PARÁ — 13 DE SETEMBRO DE 2026 — Quatro anos após a chegada da tecnologia 5G ao estado, a cobertura ainda avança de forma muito desigual no Pará. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações referentes a junho de 2026 indicam que o sinal alcançava 51,73% das áreas urbanas, mas somente 0,22% das áreas rurais.

A diferença também aparece quando o cálculo considera os moradores. Nas zonas urbanas, 76,22% da população estava em áreas cobertas pelo 5G. No meio rural, o percentual era de apenas 2,58%. Os números foram reunidos em levantamento publicado neste domingo pelo jornal O Liberal com base nas informações da Anatel.

Metade dos municípios supera 10% de cobertura

Dos 144 municípios paraenses, 72 têm sinal 5G disponível para mais de 10% da população. A outra metade permanece abaixo desse patamar, revelando que a expansão da quinta geração se concentra principalmente nos maiores centros urbanos.

Ananindeua aparece com a maior cobertura populacional do estado, de 99,72%. Belém registra 99,33% e Marituba, 98,70%. Tucuruí, Salinópolis e Castanhal também ultrapassam 90% dos moradores em áreas atendidas.

Santarém chega a 75,08% da população

Entre os principais municípios do interior, Santarém registra 75,08% da população em áreas com cobertura 5G. Itaituba aparece com 74,51% e Altamira com 72,23%.

Outros polos apresentam índices superiores a 80%, como Canaã dos Carajás, Parauapebas, Marabá, Paragominas e Barcarena. Embora esses resultados indiquem avanço, eles não significam que todo o território municipal esteja coberto. A concentração dos moradores nas sedes urbanas explica parte da diferença entre cobertura populacional e territorial.

53 municípios aparecem com cobertura populacional de 0%

Na outra ponta, 53 municípios constam com 0% de moradores cobertos pelo 5G nos dados apresentados pela Anatel. Entre eles estão Belterra, Aveiro, Juruti, Prainha, Terra Santa, Novo Progresso, Jacareacanga, Trairão, Portel, Soure e dezenas de outras localidades.

O indicador não quer dizer que essas cidades estejam sem qualquer serviço de telefonia ou internet. Ele se refere especificamente à quinta geração da telefonia móvel. Redes 4G, 3G, internet fixa, rádio e conexões por satélite podem continuar disponíveis, conforme a infraestrutura existente em cada lugar.

Geografia aumenta o desafio da expansão

Levar 5G ao interior paraense exige superar grandes distâncias, rios, ilhas, floresta e comunidades com baixa densidade populacional. As antenas precisam estar ligadas a estruturas capazes de transportar grandes volumes de dados, como redes de fibra óptica ou enlaces de alta capacidade.

Em localidades com poucos moradores espalhados por áreas extensas, o custo de implantação por usuário tende a ser maior. Por isso, a expansão depende de investimentos das operadoras, cumprimento de obrigações regulatórias, disponibilidade de infraestrutura e políticas que reduzam as desigualdades de acesso.

Pará ocupa 19º lugar em velocidade média

O levantamento também apresenta dados do ranking Minha Conexão relativos ao segundo trimestre de 2026. O Pará registrou velocidade média de 176 megabits por segundo e ficou na 19ª posição entre os estados.

Nenhum município paraense apareceu entre as 30 cidades brasileiras com internet mais rápida no período. Entre as capitais, Belém ocupou a 16ª colocação, atrás de Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista e Palmas na Região Norte.

A velocidade média reúne medições de diferentes tipos de conexão e não deve ser interpretada como uma avaliação exclusiva do 5G. Ainda assim, o resultado ajuda a mostrar o ambiente de conectividade encontrado pelos usuários paraenses.

Ter aparelho compatível não garante sinal constante

Um celular com suporte ao 5G só utiliza a tecnologia quando existe cobertura da operadora, sinal disponível e plano compatível. Durante um deslocamento, o aparelho pode alternar automaticamente entre redes 4G e 5G.

Para avaliar a qualidade real, é necessário considerar não apenas o símbolo exibido na tela, mas também velocidade de download e envio, estabilidade, latência e disponibilidade da rede ao longo do dia.

Conectividade influencia serviços e oportunidades

A expansão do 5G pode apoiar educação a distância, telemedicina, comércio, turismo, produção rural, monitoramento ambiental e serviços públicos digitais. A baixa latência também permite aplicações com sensores, máquinas e transmissão de informações em tempo real.

Quando a cobertura fica concentrada nas cidades, moradores de comunidades rurais e ribeirinhas enfrentam mais dificuldades para acessar oportunidades que dependem da internet. Reduzir essa diferença exige planejamento de longo prazo e acompanhamento público das metas de expansão.

Desafio é transformar avanço urbano em inclusão

Os dados mostram que o Pará já possui áreas urbanas com cobertura próxima da universalização, mas ainda mantém extensas regiões sem acesso à nova tecnologia. O próximo passo é ampliar a infraestrutura para além das sedes municipais e aproximar comunidades afastadas dos benefícios da conectividade.

A evolução precisa ser medida de forma transparente, município por município, para que população, empresas e poder público possam acompanhar onde o sinal chegou e onde o investimento ainda é necessário.

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